Arquivo do extinto blogue Esferovite- a vida em pedaços (13-08-2003/ 4-01-2006)

quinta-feira, outubro 27, 2005

auto-conhecimento

uma mão lavada - a maçã - sete rubricas deitadas sobre um papel, uma senha arrumada a um canto da sala - dezasseis encontros por marcar/aquelas faltas constantes de que nunca se deu conta - uma lista para se fazer de manhã, a horas certas, um pedaço do nosso corpo dado ao desbarato durante a noite.

assim mesmo, eu continuo assim mesmo : gosto de dizer baixinho que voei e, asseguro, há um certo prazer ritual neste balanço de corpo que tu percebes, que tu entendes e que tu saboreias nesse silêncio de olhos atrevidos. sei tantas vezes do teu nome que me apanho a s-o-l-e-t-r-a-r, sem me aperceber, essas quantas letras que me deste no dia em que te conheci.

para quê esta fórmula a que me prendo, estes sempre três parágrafos - uma promessa, uma ausência - como se ao me sentar para escrever usasse uma tabela [pois, no fundo, eu sou do tempo em que até já as tabelas são coisa da literatura, eu já vi um lugar onde] - arrumar as minhas botas, limpas, debaixo de uma cadeira, buscar um maço de cigarros no bolso da camisa, dizer, eu não fumo.

haverá ainda assim uma explicação mais fácil para tudo isto, uma qualquer maneira de responder às minhas próprias dúvidas - porque, queiras ou não queiras, neste tempo de se ser sempre tão complexo/complicado connosco e com os outros, só nos sobra algum tempo para tentar simplificar os nossos argumentos; mesmo que se feche o entendimento a uma insistente falta de qualidade.

talvez na próxima carta eu use cores, um azul, um amarelo, um vermelho, talvez eu recorra aos diferentes tamanhos da língua neste beijo recortado de uma revista velha -aquelas coisas que se encontram sobre as mesas. estava capaz de jurar que, sem que nada eu tenha feito, o parágrafo deste texto se alterou. existe, certamente, uma vontade própria em todos os parágrafos. mas como em tudo na vida, não se percebe bem, a quem pertence essa vontade.

3 comentários:

Filipa disse...

:-)

Rita disse...

Lindo... ;)

are_you__real disse...

Luís. Mais um texto que não poderá faltar numa antologia!!!