Arquivo do extinto blogue Esferovite- a vida em pedaços (13-08-2003/ 4-01-2006)

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

sorriso

podemos acordar um dia e sentir que o sol nos chama lá fora. abrimos a janela e sentimos que nos toca. podemos acordar um dia e sentir que há alguém dentro de nós. abrimos os olhos e vemo-nos a nós. não deixa de ser surpreendente, o dia em que nos libertamos para a luz. afinal de contas, estivemos tantos anos fechados, que provavelmente já nem nos reconhecemos. damos uns passos connosco próprios, de mão dada. e o nosso sorriso diz que sabe bem.

podemos andar pela rua um dia e sentir que nos vêem coisas à cabeça. abrimos a voz ao ouvido de alguém e descobrimos que não somos únicos. podemos andar pela rua um dia e sentir que somos diferentes. abrimos as mãos à mão de alguém e descobrimos que não fomos os primeiros. e todo o sossego que nos poderia tocar, toca-nos realmente. crescemos uns centímetros, em altura, nos ombros. o nosso sorriso é feito de um respirar fundo e terno.

podemos nos sentar nas nossas pernas um dia e encontrar aí uma forma de estar. abrimos a pele para descobrir que o que corre lá dentro não é só sangue. podemos nos sentar nas nossas pernas um dia e perceber que aí se está bem. abrimos a pele para descobrir que a luz pode nos penetrar. e então a sede cresce, a fome sacia-se no conhecimento. e o nosso sorriso, bem, o nosso sorriso é o reflexo de um sorriso maior que nos atinge.

2 comentários:

Rita disse...

gostei muito. tocou-me especialmente e por isso manifesto-me. gostei de verdade.

ternura

Luá disse...

"Olha só! Mas não é que isso esteve todo tempo aqui (e ali)! Como pude não ver!?"

Mudanças de perspectiva?

Sorrio também.