Arquivo do extinto blogue Esferovite- a vida em pedaços (13-08-2003/ 4-01-2006)

quinta-feira, março 03, 2005

o primeiro dia

hoje seria o primeiro dia, o primeiro dia a sério daquilo que nos falta para viver, se pudessem haver primeiros dias, se fosse possível, agora que já somos crescidos e temos os lavados do sono, começar tudo do início. hoje seria o primeiro dia, o primeiro dia para me levar a sério, se fosse possível, se não fosse claro para ti e para mim, que a vida é uma coisa longuíssima, que vem de outras e vai para outras, sem parar.

seria hoje, enfim, para sermos correctos, neste vigésimo quinto dia do mês de fevereiro, nesta décima oitava lua cheia de uma vida juntos, nesta sexta-feira à noite tão cheia das loucuras de sempre, tu sobre mim, no sofá da sala, eu a dizer, o primeiro, o primeiro dia, e finalmente tu que me percebes por completo, a dizer sim, a dizer sim, o primeiro, o primeiro dia do que falta para vir, mas foi sempre assim, a vida, as vidas inteiras.

o primeiro dia, porque depois, depois seguiríamos mais altos, mais fortes, mais corajosos, a correr nas pistas olímpicas para uma meta imaginária. o primeiro dia, porque depois, depois flores de lótus a cair do céu, o amor presente em todas as caras, a compaixão em todas as casas, enfim, o seria o primeiro dia de tudo aquilo que nos falta viver, se fosse possível um primeiro, se não estivessemos já cá desde sempre, e não fossemos um bocadinho de tudo aquilo que já vivemos, em todos os primeiros dias que tivemos.

4 comentários:

Luís disse...

Olá Luís:
A tua escrita continua maravilhosa, como sempre...
Um abraço

eliana pougy disse...

Olá, Luís, como vai?

Mande um texto para eliana@patife.art.br, acompanhado de uma mini-biografia até o dia 10 de março, ok?

Pode ser conto, poesia, crônica, fique à vontade...

Obrigada,
Eliana Pougy

are_you__real disse...

Tão Bonito!!

Litostive disse...

Tenho andado desaparecida (espero bem que tenhas notado!!!!)
Andei aqui a pôr a leitura em dia...
Nunca encontro palavras para comentar o que escreves e, ainda assim, não me canso de as procurar.
É sempre tudo tão pleno de... de ti. És diferente. E é bom saber (ou confirmar).

Um beijinho pa ti... =)

Miriam

Litostive
http://litostive.blogspot.com