Arquivo do extinto blogue Esferovite- a vida em pedaços (13-08-2003/ 4-01-2006)

quinta-feira, dezembro 22, 2005

beijo

sempre sempre igual, dizia, as suas palavras coladas na parede, o meu formato como o teu, assim, deixar de vez os dedos por pendurar na parede, ao lado do lençol do banho e de uma fotografia de uma namorada antiga. sempre sempre igual, a mesma madeixa de cabelo guardada no envelope, a mesma maneira de dizer os nomes baixinho na cama.

e no entanto, aos olhos de quem não lê, uma distância enorme entre a cara fechada e o coração emparedado, os dedos trémulos sobre o balcão, uma bica pedida envergonhada, os dentes quietos perante o pão, queres dizer o quê quando dizes o que dizes, qual o sentido do teu estar calado quando não me dizes nada.

ou ainda a fazer perguntas quando só de absinto e perfumes se podem fazer sonhos assim, o corpo meio morto a andar pela cidade, o telefone que não toca, a mensagem que não chega, ou ainda essa maneira de dar as más notícias, a sorrir, sempre sempre igual, distante, porque ao longe vê-se tão mal o que se sente perto.

2 comentários:

are_you__real disse...

Já te disse isto outras vezes... mas o final dos teus textos é a verdadeira chave de ouro. Obrigada por partilhares a baleza.

n. disse...

"...ao longe vê-se mal o que se sente perto." fantástico.