"Se realmente quer ficar comigo
Não faz bola de meia com meu coração"
Seu Jorge
Arquivo do extinto blogue Esferovite- a vida em pedaços (13-08-2003/ 4-01-2006)
quarta-feira, dezembro 21, 2005
"under the memphis skyline"
os dez mil homenzinhos calados. eu, sozinho, digo:
-devias ser daqui.
mas isso não quer dizer nada, pois não?
-devias ser daqui.
mas isso não quer dizer nada, pois não?
terça-feira, dezembro 20, 2005
lápis-de-cor
acordo e tiro do bolso os meus lápis-de-cor. pinto as paredes e as manhãs cinzentas, abraço o meu corpo no espelho. acordo e tiro do bolso, algumas palavras de amor. e depois sopro-as dos meus dedos e fico a vê-las voar pela janela.
sim, é o que eu faço. as paredes pintadas com as cores do teu sorriso. as minhas mãos enfeitadas com os caracóis dos teus cabelos, os pés que não pisam, saltitam, pela casa. e os olhos na janela, a brilhar.
acordo e lápis-de-cor. logo o escuro do quarto em movimento, as camisas e as meias com muitas cores a contaminarem-se umas às outras. acordo e é assim, um sorriso todo cores e vontade de beijos. qualquer coisa a brilhar.
sim, é o que eu faço. as paredes pintadas com as cores do teu sorriso. as minhas mãos enfeitadas com os caracóis dos teus cabelos, os pés que não pisam, saltitam, pela casa. e os olhos na janela, a brilhar.
acordo e lápis-de-cor. logo o escuro do quarto em movimento, as camisas e as meias com muitas cores a contaminarem-se umas às outras. acordo e é assim, um sorriso todo cores e vontade de beijos. qualquer coisa a brilhar.
domingo, dezembro 18, 2005
guia pela cidade
se eu levantar as mãos do teclado, os meus dedos tremem.
depois de dizer isto, parece que fica pouca coisa por fazer, a seguir. continuo a olhar a folha em branco, continuo a ouvir a música a tocar.
e penso: esqueci-me. esqueci-me de levar as revistas que tinha pensado dar-te, esqueci-me de te perguntar que música gostas de ouvir. e penso: a igreja sempre esteve assim, torta, e eu nunca reparei. vejo: o senhor a falar do terramoto e eu a colocar-me atrás de ti, a ver por cima dos teus cabelos o altar, lá o fundo. ou antes: os teus dedos nas teclas velhas do órgão.
se eu ficar sem nada para dizer, o que digo depois é. ou não, o que eu não queria era dizer qualquer coisa que não tivesse sentido. assim: não passa por não dizer, passa por encontrar a maneira de o dizer - aquela maneira nossa, aquela maneira minha. sim. o tempo todo a imaginar-me abraçado a ti e só abraços disfarçados. qualquer coisa em mim tão descansada e qualquer coisa em mim a rir, a rir, a rir.
e penso: amanhã outra vez. melhor: ainda hoje aqui. sim: o tempo todo a querer ser de perto, a sentir-me a chegar. eram os teus braços abertos ou uma música que ouvi noutro lugar. uma maneira de o dizer, uma maneira de o dizer. a cidade tão bonita e as nossas mãos tão perto. era isto ou um chá no andar de cima. era isto ou não o que eu não queria dizer. se eu levantar as mãos do teclado, posso segurar nas tuas?
depois de dizer isto, parece que fica pouca coisa por fazer, a seguir. continuo a olhar a folha em branco, continuo a ouvir a música a tocar.
e penso: esqueci-me. esqueci-me de levar as revistas que tinha pensado dar-te, esqueci-me de te perguntar que música gostas de ouvir. e penso: a igreja sempre esteve assim, torta, e eu nunca reparei. vejo: o senhor a falar do terramoto e eu a colocar-me atrás de ti, a ver por cima dos teus cabelos o altar, lá o fundo. ou antes: os teus dedos nas teclas velhas do órgão.
se eu ficar sem nada para dizer, o que digo depois é. ou não, o que eu não queria era dizer qualquer coisa que não tivesse sentido. assim: não passa por não dizer, passa por encontrar a maneira de o dizer - aquela maneira nossa, aquela maneira minha. sim. o tempo todo a imaginar-me abraçado a ti e só abraços disfarçados. qualquer coisa em mim tão descansada e qualquer coisa em mim a rir, a rir, a rir.
e penso: amanhã outra vez. melhor: ainda hoje aqui. sim: o tempo todo a querer ser de perto, a sentir-me a chegar. eram os teus braços abertos ou uma música que ouvi noutro lugar. uma maneira de o dizer, uma maneira de o dizer. a cidade tão bonita e as nossas mãos tão perto. era isto ou um chá no andar de cima. era isto ou não o que eu não queria dizer. se eu levantar as mãos do teclado, posso segurar nas tuas?
sábado, dezembro 17, 2005
de mim para mim II
-rapaz, deixa de pensar nisso, falo eu, de mim para mim.
e dez mil homenzinhos a correr a correr planeiam planeiam.
-rapaz, pensa menos e age mais.
dez mil homenzinhos dez mil homenzinhos dez mil homenzinhos.
e dez mil homenzinhos a correr a correr planeiam planeiam.
-rapaz, pensa menos e age mais.
dez mil homenzinhos dez mil homenzinhos dez mil homenzinhos.
deixa como está
as minhas mãos são muito pequeninas, pequenos segmentos saíndo dos punhos da camisa enquanto a noite já se foi pelo sol que entra na janela. o corpo, estendo-o sobre o sofá e penso medir o tempo, a atenção a diluir-se pela música que vai enchendo a sala sempre tão vazia. talvez por estar o tempo todo a queixar-me, agora prefiro ficar calado.
as minhas mãos são muito pequeninas, já te tinha dito ou estou a repetir-me, a minha cabeça cansada sobre a almofadas, duas ou três palavras penduradas do tecto. o sol, o sol na janela, saber que demoro um quanto tempo a aquecer, olhar para o espaço em branco à espera de ser preenchido, essas coisas. se eu deixasse uma folha sobre a mesa, alguém a levaria?
as minhas mãos são muito pequeninas, eu cofio as barbas e páro a olhar para os dois parágrafos acabados de escrever. as minhas mãos sobre o teclado, esta música, um piano, poderia ser eu. tento mas não consigo pensar sem palavras, o sol, a janela, o corpo, as mãos. sim, começou por aí, pelas mãos. estendidas sobre a mesa, pequenos segmentos, punhos de camisa, assim, assim, assim.
as minhas mãos são muito pequeninas, já te tinha dito ou estou a repetir-me, a minha cabeça cansada sobre a almofadas, duas ou três palavras penduradas do tecto. o sol, o sol na janela, saber que demoro um quanto tempo a aquecer, olhar para o espaço em branco à espera de ser preenchido, essas coisas. se eu deixasse uma folha sobre a mesa, alguém a levaria?
as minhas mãos são muito pequeninas, eu cofio as barbas e páro a olhar para os dois parágrafos acabados de escrever. as minhas mãos sobre o teclado, esta música, um piano, poderia ser eu. tento mas não consigo pensar sem palavras, o sol, a janela, o corpo, as mãos. sim, começou por aí, pelas mãos. estendidas sobre a mesa, pequenos segmentos, punhos de camisa, assim, assim, assim.
sexta-feira, dezembro 16, 2005
frio
dedicado a...
não tremas de frio agora,
agora não, eu já estou aqui
e então, não tremas de frio
agora, não, eu posso aquecer-te.
ouvi-te dizer do vento e logo a correr a abraçar-te, era isto que eu sonhava, manhã cedo pelo café, torradas sobre a mesa, migalhas, o meu olhar perdido pela janela, tanta gente que aqui vive e eu só com cabeça para ti, ouvi-te dizer do vento, ouvi-te dizer do frio, e logo a correr, logo a abraçar-te, era isso que eu fazia, esta manhã, no sonho, torradas e migalhas, a mesa.
os meus passos sempre tão pequenos e os meus sonhos sempre tão altos, sim, sentir que vivemos algures juntos numa fotografia muito velha, já fomos velhos avôs de alguém, pois, os meus passos sempre tão pequenos e o meu coração a bater com tanta força, com tanta pressa de chegar a lado nenhum, já fomos juntos, isso eu sei, e logo agora eu, os meus passos sempre tão pequenos, saber que tu os consegues acompanhar na lentidão.
ouvi-te dizer do vento, os meus passos pequenos, e logo logo a correr abraçar-te, era hoje de manhã, eram fotografias tão antigas, eu e tu e a janela, torradas e avôs misturados, migalhas, os meus passos pequenos e correr correr, ouvi-te dizer do vento e os meus sonhos, manhã cedo, era hoje, a mesa, a fotografia, já fomos velhos e ainda somos tão novos, ouvi-te dizer logo a correr a abraçar-te, foi isso que eu ouvi, sim, foi isso, foi.
lua
dá-me lua, lua e domingos pela tarde onde, com os sapatos bem calçados, encontraremos ruas acima e abaixo as portas certas de um encontro. dá-me lua, lua e rebuçados, porque eu posso preparar um embrulho de presente, um abraço de repente, as portas abertas de enfim a sós.
dá-me lua, lua e o teu sorriso, guardando o perfume dos teus olhos, os cabelos apanhados, um caderno meio riscado. dá-me lua, lua e uma palavra, a tua mão no meu braço, um café sobre a cidade, os pés mais leves do que um voo, os olhos bem abertos enfim secos.
dá-me lua, lua e uma viagem sem regresso para a eternidade, tenho lugar ao teu lado, uma maçã vermelha no bolso, neve na janela ao acordar. dá-me lua, lua e perfume de frutas, um concerto de música de embalar, um beijo radiofónico, as portas abertas, a lua, sim.
dá-me lua, lua e o teu sorriso, guardando o perfume dos teus olhos, os cabelos apanhados, um caderno meio riscado. dá-me lua, lua e uma palavra, a tua mão no meu braço, um café sobre a cidade, os pés mais leves do que um voo, os olhos bem abertos enfim secos.
dá-me lua, lua e uma viagem sem regresso para a eternidade, tenho lugar ao teu lado, uma maçã vermelha no bolso, neve na janela ao acordar. dá-me lua, lua e perfume de frutas, um concerto de música de embalar, um beijo radiofónico, as portas abertas, a lua, sim.
quarta-feira, dezembro 14, 2005
ainda
dez mil homenzinhos continuam, para baixo e para cima, a fazer obras na minha cabeça.
- a conduzir assim estás bem capaz de produzir um acidente de enormes dimensões.
- em todas as curvas vejo iluminações de natal.
dez mil homenzinhos, sempre, sem parar.
- a conduzir assim estás bem capaz de produzir um acidente de enormes dimensões.
- em todas as curvas vejo iluminações de natal.
dez mil homenzinhos, sempre, sem parar.
sms
a bem da verdade, se ninguém se lembra de escrever para mim, porque haverei eu de me lembrar de escrever para alguém?
segunda-feira, dezembro 12, 2005
escandinávia
conheces o caminho para a escandinávia, a tua cara onde a barba cresce como a noite cai, estares de pé, ao frio, à porta do teatro, e olhares à tua volta à procura da linha do horizonte, a linha do horizonte a meio da rua, a tua miopia, os teus olhos toscos, tu inteiro, conheces o caminho para a escandinávia, um bairro qualquer perto de uma cidade, uma casa pequena, ninguém a quem te dirigires quando faltar um abraço.
conheces o caminho para a escandinávia, um asilo grande e um barrete, imensos homens que te pedem cigarros, as unhas roídas e um jornal antigo, os pés frios e mais um robe, o tempo todo para ti ali fechado, talvez te dêem papéis, talvez te dêem canetas, guardas os papéis todos dentro de uma camisa velha, conheces o caminho para a escandinávia, a barba a crescer mas sem bilhete de volta, um dia o mundo acaba mas tu, tu ainda estás a tempo de viajar.
conheces o caminho para a escandinávia, algumas garrafas de cerveja misturadas com o bife do jantar, a loiça toda suja na cozinha, cheiros que se misturam contigo, fazes má cara e os cheiros não desaparecem, a sala cheia de papéis, um asilo num país gelado, ninguém a quem te dirigires quando faltar um abraço, podem dizer que te aguentas sozinho, mas tu nunca saíste dessa viagem, conheces o caminho para a escandinávia, sim, esse mesmo, é na direcção contrária ao caminho da califórnia, vais ser herói só de ti próprio, um asilo e imensos homens que te pedem cigarros.
conheces o caminho para a escandinávia, um asilo grande e um barrete, imensos homens que te pedem cigarros, as unhas roídas e um jornal antigo, os pés frios e mais um robe, o tempo todo para ti ali fechado, talvez te dêem papéis, talvez te dêem canetas, guardas os papéis todos dentro de uma camisa velha, conheces o caminho para a escandinávia, a barba a crescer mas sem bilhete de volta, um dia o mundo acaba mas tu, tu ainda estás a tempo de viajar.
conheces o caminho para a escandinávia, algumas garrafas de cerveja misturadas com o bife do jantar, a loiça toda suja na cozinha, cheiros que se misturam contigo, fazes má cara e os cheiros não desaparecem, a sala cheia de papéis, um asilo num país gelado, ninguém a quem te dirigires quando faltar um abraço, podem dizer que te aguentas sozinho, mas tu nunca saíste dessa viagem, conheces o caminho para a escandinávia, sim, esse mesmo, é na direcção contrária ao caminho da califórnia, vais ser herói só de ti próprio, um asilo e imensos homens que te pedem cigarros.
citizen k.
não, não é amor, é uma estrada cheia de curvas, esburacada, viras à esquerda, sobes, entras no portão e sabes, sim, sabes nesse exacto momento, não é amor, é uma visita desesperada, o chão molhado da chuva, chove há mais de quinze dias, parece que só chove dentro de ti, mas não, é ali mesmo, os pés no chão molhado fazem um barulho estranho aos teus ouvidos, esse mesmo barulho, não é amor.
não, o pára-brisas na rotação máxima, chuva chuva chuva, voltas atrás, a porta à vista, voltas atrás, dentro do carro, o pára-brisas na rotação máxima, abres a camisa, sim, um ou dois botões, sentes-te estranho, sim, abras a camisa, os olhos muito abertos, sais do portão, viras à esquerda, foges, de ti ou de alguém ainda não sabes, sentes-te estranho, chove, abres um ou dois botões, sim, o pára-brisas na rotação máxima.
paras o carro, chove, não, não é amor, desapertas as calças com rapidez, paras o carro, chove, chove muito, desapertas as calças, puxas abaixo os boxers, tocas-te, tocas-te, tocas-te, sentes-te estranho, dominado por pensamentos cruzados, puxas abaixo os boxers e esfregas-te, não sentes a excitação sequer, chove, chove, não te ouves, só a chuva, não é amor, esfregas-te, esfregas-te até expulsares de ti a vontade de entrar pela porta, sim, não é amor, não é amor, não é amor, sossegas e voltas a ligar o carro, com a respiração entrecortada.
não, o pára-brisas na rotação máxima, chuva chuva chuva, voltas atrás, a porta à vista, voltas atrás, dentro do carro, o pára-brisas na rotação máxima, abres a camisa, sim, um ou dois botões, sentes-te estranho, sim, abras a camisa, os olhos muito abertos, sais do portão, viras à esquerda, foges, de ti ou de alguém ainda não sabes, sentes-te estranho, chove, abres um ou dois botões, sim, o pára-brisas na rotação máxima.
paras o carro, chove, não, não é amor, desapertas as calças com rapidez, paras o carro, chove, chove muito, desapertas as calças, puxas abaixo os boxers, tocas-te, tocas-te, tocas-te, sentes-te estranho, dominado por pensamentos cruzados, puxas abaixo os boxers e esfregas-te, não sentes a excitação sequer, chove, chove, não te ouves, só a chuva, não é amor, esfregas-te, esfregas-te até expulsares de ti a vontade de entrar pela porta, sim, não é amor, não é amor, não é amor, sossegas e voltas a ligar o carro, com a respiração entrecortada.
domingo, dezembro 11, 2005
de mim para mim
- ela cheirava a frutas, dizem os dez mil homenzinhos que tenho dentro de mim.
- ela cheirava a frutas, digo eu, com um sorriso nos lábios.
- ela cheirava a frutas, digo eu, com um sorriso nos lábios.
sexta-feira, dezembro 09, 2005
como o caranguejo
não quero nada contigo, disse-me ele, precisamente na altura em que eu entrava pela porta, de sorriso de bom-dia na cara, ainda tão cedo que nada tinha dito, não quero nada contigo, assim, para começar, nem me dando disposição para brincar com o mau humor dele, nem dando hipótese de fugir para não molhar os pés na rebentação, não quero nada contigo, pois, mas também não temos que perceber tudo.
a porta fechada outra vez, ainda é cedo, mas ele costuma sempre estar por cá, eu à procura das chaves no bolso do casaco, um enorme molho de chaves, quando cá cheguei esperava sempre à porta, ou o sol a bater forte na testa ou dias de tanta chuva, quando cá cheguei esperava, depois a chave do armazém, a chave do escritório, a chave da rua, a chave da arrecadação, a chave do cofre, as chaves de todos os sistemas de alarme e segurança, um enorme molho, eu à procura.
ontem à noite encontrei a filha do chefe, saí com o meu primo a um bar e lá estava ela, conheci-a pela cor dos cabelos, um fogo que lhe arde como auréola, encontrei-a e ela também me encontrou, lembrava-se da minha cara, podia ter desviado o olhar mas veio até mim, disse-me olá e ficamos a conversar, encontrei-a, é uma rapariga simpática, um tanto estranha ainda assim, diz coisas que não se percebem muito bem, sei lá, anda a ler o Ruben A. e disse-me que deve ser por causa disso.
a porta fechada outra vez, ainda é cedo, mas ele costuma sempre estar por cá, eu à procura das chaves no bolso do casaco, um enorme molho de chaves, quando cá cheguei esperava sempre à porta, ou o sol a bater forte na testa ou dias de tanta chuva, quando cá cheguei esperava, depois a chave do armazém, a chave do escritório, a chave da rua, a chave da arrecadação, a chave do cofre, as chaves de todos os sistemas de alarme e segurança, um enorme molho, eu à procura.
ontem à noite encontrei a filha do chefe, saí com o meu primo a um bar e lá estava ela, conheci-a pela cor dos cabelos, um fogo que lhe arde como auréola, encontrei-a e ela também me encontrou, lembrava-se da minha cara, podia ter desviado o olhar mas veio até mim, disse-me olá e ficamos a conversar, encontrei-a, é uma rapariga simpática, um tanto estranha ainda assim, diz coisas que não se percebem muito bem, sei lá, anda a ler o Ruben A. e disse-me que deve ser por causa disso.
lápis
agora senta-te. fecha os teus olhos e suspende-te da sensação de aqui estar. pousa as tuas mãos no colo, respira fundo, perfumado. olho o teu pescoço, desenhado, que entra profundamente dentro da camisa que vestes. respira fundo, eu olho-te. senta-te e sente o calor dos meus olhos sobre a tua pele.
podes estender as pernas, eu tiro-te os sapatos, se prometeres não abrir os olhos. fechei a janela e só uma ténue luz pela sala inteira. desço com a palma da mão bem aberta sobre as tuas pernas, de calças vestidas, retiro-te os sapatos. o que eu falo não falo, sopro, aos teus ouvidos. na tua face um sorriso aparece.
agora senta-se. fecha os teus olhos e suspende-te da minha existência até. as minhas mãos voltam a subir por ti, percorrendo cada milímetro de ti até se repousarem nos ombros. chego-me a ti, respiro quente no teu pescoço e tu já nem sorris. tremes ao respirar. e ao fundo vais na sensação de me ter em ti.
podes estender as pernas, eu tiro-te os sapatos, se prometeres não abrir os olhos. fechei a janela e só uma ténue luz pela sala inteira. desço com a palma da mão bem aberta sobre as tuas pernas, de calças vestidas, retiro-te os sapatos. o que eu falo não falo, sopro, aos teus ouvidos. na tua face um sorriso aparece.
agora senta-se. fecha os teus olhos e suspende-te da minha existência até. as minhas mãos voltam a subir por ti, percorrendo cada milímetro de ti até se repousarem nos ombros. chego-me a ti, respiro quente no teu pescoço e tu já nem sorris. tremes ao respirar. e ao fundo vais na sensação de me ter em ti.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
roubo
o que eu não penso, eu roubo. ou melhor, mesmo tudo o quanto eu roubo é depois pensado antes de usado. isto, pelos vistos, rima em demasia. mas era o que eu queria escrever, o sentido, apesar do formato.
então, havia um poema com uma mulher numa árvore, que descia para urinar nas calças. este tipo de coisas não me constrange, mas admira-me. não pela ideia, mas pela palavra. ou seja, o contrário exacto do anterior parágrafo.
urinar nas calças, para experimentar. tirando a frustração da higiene, surge-me até como uma ideia interessante. entrar no duche vestido. comer de boca aberta deixando que restos e molho se espalhem pela camisa. não sei se me estão a entender.
portanto, roubo. pilho. são palavras, palavras conjugadas. experimentar o nosso corpo até ao ponto em que corpo, vestuário, sociedade, tudo uma grande amálgama. percebem? desmaterializar o indivíduo até tudo ser a mesma matéria.
nem a mim me parece óbvio, era uma ideia que explorava agora. depois de ler um poema em que uma mulher numa árvore descia para urinar nas calças. e na medida do espanto, também eu me acabo por perder no que escrevo. e tudo confundido já nem se percebe o que é roubado.
então, havia um poema com uma mulher numa árvore, que descia para urinar nas calças. este tipo de coisas não me constrange, mas admira-me. não pela ideia, mas pela palavra. ou seja, o contrário exacto do anterior parágrafo.
urinar nas calças, para experimentar. tirando a frustração da higiene, surge-me até como uma ideia interessante. entrar no duche vestido. comer de boca aberta deixando que restos e molho se espalhem pela camisa. não sei se me estão a entender.
portanto, roubo. pilho. são palavras, palavras conjugadas. experimentar o nosso corpo até ao ponto em que corpo, vestuário, sociedade, tudo uma grande amálgama. percebem? desmaterializar o indivíduo até tudo ser a mesma matéria.
nem a mim me parece óbvio, era uma ideia que explorava agora. depois de ler um poema em que uma mulher numa árvore descia para urinar nas calças. e na medida do espanto, também eu me acabo por perder no que escrevo. e tudo confundido já nem se percebe o que é roubado.
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