o segredo da minha página está na saliva com que molho as minhas feridas. assim deixo, a sombreado, minhas marcas de sangue. procuro um casaco entre os mais velhos e envolvo-me com o cachecol. asseguro-me do maço de cigarros dentro do bolso da camisa e saio à rua. todos os homens fumam, na tua cabeça. na minha cabeça, eu fumo também.
o segredo do meu poema por terminar é esta insegurança no acordar todos os dias. encarar como um milagre a manutenção dos pés e das mãos no mesmo lugar. aperceber-me constantemente de como tudo poderia virar de rumo, se eu quisesse. querer e não querer as mesmas coisas, ao mesmo tempo. fazer da sensação de morte, uma sensação de vida e saber que, sempre que tocam à campaínha, é engano.
o segredo deste meu toque na tua pele são as noites inteiras sozinho. anos inteiros de não estar, não fazer, não ser sequer. o que há no meu toque falta em todos os outros contactos, serve assim de fronteira para o que nunca haverá além. eu sou daqueles que se entregam pouco, já sabes, e por isso segues a tua estrada, deixando-me isolado no meio do caminho. é mesmo assim, eu sei. e enquanto te vejo ir, eu não digo nada.
Arquivo do extinto blogue Esferovite- a vida em pedaços (13-08-2003/ 4-01-2006)
sábado, outubro 22, 2005
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