talvez fosse engraçado conseguir dar um salto até aí, no próximo sábado. gosto das cidades grandes quando estão desertas, ia gostar de te encontrar numa rua qualquer, tu ias-me segurar pela mão e levar-me a esticar as pernas pelo rio. seria o que nós chamamos de oportunidade. depois anoiteceria e eu ia levar-te, debaixo do meu braço, até a uma estação de comboio próxima. e seguiríamos linhas diferentes.
faz-me falta a presença do comboio, um comboio activo e consequente, que sirva para se chegar a algum lado. faz-me falta uma rua larga e um jardim onde passear mesmo quando está frio. faz-me falta um casaco, um boné e um cachecol. fazem-me falta as folhas secas do outono e os dias em que ameaça nevar. faz-me falta um telefonema a meio da noite, sentir-me calmo quando me tocam à campaínha. faz-me falta uma vida normal. uma vida normal como a minha.
talvez fosse engraçado poder sacudir a humidade dos cabelos e aquecer as mãos perto de uma lareira. olhar, com todo o vagar do mundo, os livros que tens espalhados pela tua sala. pegar num e ler duas frases, em voz alta, fazer-te sorrir. talvez fosse engraçado isso, o teu sorriso. o meu, também, em reflexo. talvez nos pudessemos divertir a inventar um qualquer prato, na cozinha. acender as luzes, espreitar pela varanda. e ao ver o comboio passar sentirmo-nos alinhados, mão na mão.
Arquivo do extinto blogue Esferovite- a vida em pedaços (13-08-2003/ 4-01-2006)
quarta-feira, setembro 28, 2005
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