Porque nem todos estamos neste mundo para brincar, e tu sabes disso, dás saltinhos no mesmo sítio e sacodes a cabeça enquanto dizes asneiras a torto e a direito. Depois, um pontapé num maço de cigarros amarrotado pelo chão, uma porta fechada com força, um abraço apertado, uma noite a chorar. Porque nem todos somos feitos do mesmo material, mas a ti isso custa-te mais. Porque não adianta ter pressa mas também não adianta esperar. Tu és assim.
Porque nem todos estamos no mundo para brincar, e tu sabes disso, saímos de noite no teu carro e vamos para uma discoteca dançar. Fumamos cigarros e bebemos só o suficiente para ser já de manhã. Depois vai cada um para sua casa dormir descansado, acordas tarde e a más horas, mal disposta com a luz do sol retardada, abraças as tuas gatas, sentas-te no sofá a fumar cigarros até a ramela dos olhos cair de acordada. Almoças à hora que te apetece, é por isso que és uma menina grande. E depois telefonas para dar beijinhos à mamã.
Porque nem todos estamos no mundo para brincar, e tu sabes disso, pões-te a escavar vidas como quem procura tesouros. Para onde olhas vês ouro, tipo alquimista. E depois fazes muita força para que os outros sejam felizes, apareçam pela tua casa, te contem segredos, te peçam coisinhas. Abres a caixa do correio e, no meio de tantas contas parvas para pagar, um postal com um coração. Não é amor, é saber exactamente como te fazer sorrir, mesmo que muitas vezes tu prefiras os teus exacerbados actos de exibição do ego, só para marcar posição. Agora, estás a chorar de emoção.
Arquivo do extinto blogue Esferovite- a vida em pedaços (13-08-2003/ 4-01-2006)
quinta-feira, março 31, 2005
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