eu sei que sim, amor, toca a música baixinho na rádio, estamos os dois tão longe de estar perto, eu sei que sim, amor, a tua mão perdida no meu colo, o meu colo perdido numa outra terra, do outro lado da margem, eu sei que sim, amor, toca a música baixinho na rádio e eu só te vejo nas fotografias, estão os dois tão, meu amor, tão longe de estar perto, eu sei que sim, amor.
e depois tu dizes, apetecia-me deitar a cabeça no ombro de um rapaz, no comboio, eu sei que sim, amor, apetecia-me deitar a cabeça no ombro de uma rapariga, no comboio, eu sei que sim, amor, apetecia-me mesmo que fosse uma pessoa qualquer, uma pessoa qualquer que eu soubesse, que soubesse também, apetecer chorar, sem fugir de mim, sem dizer, a menina está doida, eu sei que sim, amor, apetecer deitar a cabeça, meu amor, e chorar, chorar a vida inteira, eu sei que sim.
vejo-te nas fotografias, tu sabes que sim, meu amor, olho os teus olhos fortes e expressivos, grandes como as ilhas que só sabemos que existem dos sonhos, tu sabes que sim, meu amor, e depois dizes, eu não sou quem tu precisas, tu não és quem eu preciso, meu amor, vejo-te nas fotografias, e eu sei, e tu sabes, apetecer chorar num ombro, deitar a cabeça, chorar a vida inteira, eu sei que, tu sabes que, sim, meu amor, vejo-te nas fotografias, precisar e tudo tão longe, querer só fazer as coisas que não têm como ser feitas.
Arquivo do extinto blogue Esferovite- a vida em pedaços (13-08-2003/ 4-01-2006)
sábado, janeiro 29, 2005
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